O relógio na torre


Olho para a janela aqui do escritório,
Vejo um relógio no alto de uma torre,
Mostrando o tempo passar.
O tempo voando lá fora e aqui
A sensação é de se estar numa cápsula temporal.
Preso, apertado, enterrado, esquecido.
Aqui dentro tudo é lento, moroso,
Os trabalhos, as redes, os sistemas, as máquinas...
Os relacionamentos são superficiais, formais.
Os vínculos frágeis como que amarrados por barbante.
As pessoas parecem estar vivendo em fugas,
Fogem de realidades, se escondem de confrontos.
Vão e vêm pelos corredores, atarefadas.
Como formigas em fila, todas pelo mesmo caminho.
São movidas por informações, (bochichos), fofocas.
Uma conversa aqui, outra acolá, futilidades.
Um café, dois, três e o dia ainda está só começando.
Só assim para manter a compostura.
O estresse parece que é um parasita permanente aqui.
Passa de um para outro, infecta a alma do indivíduo
E brinca com os ânimos de todos.
Já está virando fiel companheiro até dos mais tranquilos.
Lá fora, o céu azul se confunde com os prédios,
E as nuvens encobrem o horizonte.
É lá onde a vida acontece,
O risco seduz e convida a todos a experimentarem uma nova vida.
Provar do novo, crescer.
Vamos lá?!

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