¿Hasta cuándo?

¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
¿Qué pasa contigo?
¿Te duele el estómago?
Es la pasión, creo.
Quizás...
Y así se pasan los días.
Y yo, desesperandome,
Y tú, tú contestando.
Quizás, quizás, quizás.
Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando.
Por lo que más tú quieras.
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Qué lindo poema de amor!
¿Hasta cuándo jugará con la suerte?
¿Hasta cuándo vivirá en la sombra del pasado?
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
¿Hasta cuándo dudarás
De tu capacidad,
De tu fuerza,
De tu voluntad,
De tu amor?
Y así se pasan los dias.
Te sigues preguntando...
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?

Às Vezes

Às vezes, à noite,
Pego meu violão
Para arranhar umas cantigas.
Coisa pouca, só ensaio.
O que eu gosto mesmo é ouvir,
Ouvir o som das cordas arpejadas,
Aquele sonido meio triste, meio melancolia.
Som que traz saudades de antigamente,
Alguma canção trigueira de lual,
Lembra velhos amigos, amores antigos.
Faz o ouvido ficar tinindo...
Sem o barulho exterior
Traz à alma calmaria e ao espírito alento,
Paz e conforto ao corpo cansado e oprimido.
Que doçura de momento!
Só eu e minha viola...
Conversando baixinho, batendo um papo.
O tempo até parece que se esquece da gente.
Às vezes é urgente.
O importante para mim é a afinação,
Instrumento bem afinado produz melodia pura e harmoniosa.
Uma nota com a outra,
Um acorde chamando outro.
Equilíbrio e ritmo.
O que nos faz seguir adiante nesta vida.
Conforto e desafios para não se perder no compasso.
Às vezes perco o passo,
Aí recomeço o ensaio.


Sincronicidades


É preciso SINCRONIZAR
Há tanta desordem no mundo
Tantas anomalias
Tantas diferenças
Tudo confuso e desorganizado
A natureza jaz no caos
O universo tende a esta degradação
Desarranjos
Desencontros
Falta de significados
Quase não se consegue respirar
Tantos atrasos, tempos distintos
Pouco tempo
A correria do dia a dia acaba por desestruturar as rotinas
Misturar os momentos, estragar os instantes
Definhar o próprio tempo
Este tempo que envelhece e se desintegra
Desaparece
Desalinha os ponteiros do relógio da vida
Para sincronizar esta vida e ajustar tudo...
É preciso sincronizar
Sincronizar e se re-sincronizar diversas vezes
Sentir as coisas ao redor
Degustar os sabores
Mastigar vagarosamente
Sorver
Ir no mato, tocar a natureza
Entrar em contato com as origens da vida
Ver que, apesar de nossa pequenez
Somos parte de algo muito maior
Sinais do que é eterno nos rodeiam
Coincidências?
Incidências
Novos significados, novos rumos
Voltar a andar no caminho
Olhar para frente
Andar


A sombra no muro


No sol da manhã a necessidade,
Ao passar pelas ruas da cidade,
Ver a sombra de uma árvore
Em um muro feito em mármore.
Desenhada pela luz, delicadamente,
Em contorno impreciso e latente.
O forte e animador sol matinal
Rabiscando estas linhas afinal.
Perfeitas em muros e paredes,
Folhas e galhos como redes.
Noutro muro pintado em vermelho,
A árvore se sente em um espelho.
Silhuetas se tornando sombrias,
Conforme suas formas esguias.
As sombras das árvores nos muros
Irão dissipar os frutos já maduros
Do dia que se inicia logo cedo.
Os carros pelas ruas com medo
Passam, bem rápidos e acelerados.
Os homens nas calçadas apressados,
Com as pessoas é cada um por si,
Cada indivíduo só, andando por aí.
Embora estejam na multidão,
Estão sozinhos no coração,
Nem percebem os desenhos,
Obras de arte nos quadradinhos,
Que logo irão desaparecer,
Assim que o sol se mover.
Sombras e luzes se dissipando,
Realidade aos poucos transformando.
Vai se fazendo fútil, vazia e fria
Com a chegada da rotina, sem alegria.
Dia a dia que escraviza a liberdade
Figuram das sombras a brevidade.
A vida passa e ninguém percebe,
Pessoas em seus mundos de sebe.
Por fora aparências, desenhos e rascunhos,
Por dentro sombras e profundos espinhos.
Em seus submundos almas incompletas,
Necessitam da Luz divina serem repletas.
La fora o Ipê Amarelo estampado
Nos ladrilhos do edifício ao lado,
Como se fosse uma pintura rebuscada,
Cobrindo os tijolos a vista da fachada,
Formando linda e exuberante obra prima,
De contornos bem delineados, acima
Faz-nos refletir nossa razão de viver,
Que tipo de imagem queremos ser?


Antes e depois do depois

Depois que as luzes se apagam
Depois que as palavras acabam
Depois que a inspiração se vai
Depois que a alma se esvai
Depois que os olhos se fecham
Depois que o último suspiro expira
Depois dos acenos de adeus
Depois que tudo se finda
Depois, logo depois...

Um novo vento sopra
Um novo espírito nasce
Uma nova esperança surge
Uma nova alegria brota
Uma nova vida desperta
Uma nova era começa
Um novo olhar se lança
Um novo ar se respira
Um novo amor começa

O piano e o teatro


Num velho teatro, quase abandonado,
Tocava um piano de cauda já antigo e surrado,
Clássico.
Instrumento feito em madeira de lei,
Da época das grandes sinfonias...
Devia ter mais de século.
Soava uma melodia envolvente, clássica, precisa.
Rebuscada.
Complexa e profunda.
Ao mesmo tempo bucólica.
Triste, distante.
Melancólica.
O velho piano ainda produzia seus tons
Com muita nitidez e harmonia.
Sons que ecoavam por todo o ambiente.
Embora Já desgastado pelo tempo.
O tempo fugaz que não volta.
Mesmo com suas paredes de madeira rachadas,
Sua música ainda era sublime.
As notas agudas e graves se misturavam umas às outras
Produzindo efeitos sonoros magníficos,
Dissonâncias perfeitas,
Discrepantes com a tristeza do lugar,
Um teatro quase abandonado e feio.
Tudo mórbido e sem vida,
Exceto pelas ondas melódicas
Preenchendo aquele quadro melancólico.
A música como cura para os recônditos escondidos e feridos da alma.
Este trabalho o velho instrumento executava
Com exímia habilidade e experiência.
A arte de musicar os versos e as notas
Contidas em composições intrincadas e diversas,
No passo do compasso, lentamente mas preciso,
O bater das teclas dava o tom,
O andamento.
O velho piano ainda encantava
E soava bela música,
Estava alegre por poder ser útil,
E o antigo lugar emocionava seus presentes ouvintes mais atentos
Acalentando a alma.
Com maestria o velho piano
Mostrava que o tempo é relativo.
Seu talento era claramente perceptível,
Provando que a experiência e a maturidade,
Quando bem afinadas,
Trazem resultados maravilhosos.

O relógio na torre


Olho para a janela aqui do escritório,
Vejo um relógio no alto de uma torre,
Mostrando o tempo passar.
O tempo voando lá fora e aqui
A sensação é de se estar numa cápsula temporal.
Preso, apertado, enterrado, esquecido.
Aqui dentro tudo é lento, moroso,
Os trabalhos, as redes, os sistemas, as máquinas...
Os relacionamentos são superficiais, formais.
Os vínculos frágeis como que amarrados por barbante.
As pessoas parecem estar vivendo em fugas,
Fogem de realidades, se escondem de confrontos.
Vão e vêm pelos corredores, atarefadas.
Como formigas em fila, todas pelo mesmo caminho.
São movidas por informações, (bochichos), fofocas.
Uma conversa aqui, outra acolá, futilidades.
Um café, dois, três e o dia ainda está só começando.
Só assim para manter a compostura.
O estresse parece que é um parasita permanente aqui.
Passa de um para outro, infecta a alma do indivíduo
E brinca com os ânimos de todos.
Já está virando fiel companheiro até dos mais tranquilos.
Lá fora, o céu azul se confunde com os prédios,
E as nuvens encobrem o horizonte.
É lá onde a vida acontece,
O risco seduz e convida a todos a experimentarem uma nova vida.
Provar do novo, crescer.
Vamos lá?!