No sol da
manhã a necessidade,
Ao passar
pelas ruas da cidade,
Ver a
sombra de uma árvore
Em um muro feito
em mármore.
Desenhada pela
luz, delicadamente,
Em contorno
impreciso e latente.
O forte e
animador sol matinal
Rabiscando
estas linhas afinal.
Perfeitas em
muros e paredes,
Folhas e
galhos como redes.
Noutro muro
pintado em vermelho,
A árvore se
sente em um espelho.
Silhuetas se
tornando sombrias,
Conforme suas
formas esguias.
As sombras
das árvores nos muros
Irão dissipar
os frutos já maduros
Do dia que
se inicia logo cedo.
Os carros pelas
ruas com medo
Passam, bem
rápidos e acelerados.
Os homens
nas calçadas apressados,
Com as pessoas
é cada um por si,
Cada
indivíduo só, andando por aí.
Embora
estejam na multidão,
Estão
sozinhos no coração,
Nem
percebem os desenhos,
Obras de
arte nos quadradinhos,
Que logo
irão desaparecer,
Assim que o
sol se mover.
Sombras e
luzes se dissipando,
Realidade
aos poucos transformando.
Vai se fazendo
fútil, vazia e fria
Com a
chegada da rotina, sem alegria.
Dia a dia que
escraviza a liberdade
Figuram das
sombras a brevidade.
A vida
passa e ninguém percebe,
Pessoas em
seus mundos de sebe.
Por fora
aparências, desenhos e rascunhos,
Por dentro
sombras e profundos espinhos.
Em seus
submundos almas incompletas,
Necessitam da
Luz divina serem repletas.
La fora o Ipê
Amarelo estampado
Nos
ladrilhos do edifício ao lado,
Como se
fosse uma pintura rebuscada,
Cobrindo os
tijolos a vista da fachada,
Formando linda
e exuberante obra prima,
De
contornos bem delineados, acima
Faz-nos
refletir nossa razão de viver,
Que tipo de
imagem queremos ser?