O piano e o teatro


Num velho teatro, quase abandonado,
Tocava um piano de cauda já antigo e surrado,
Clássico.
Instrumento feito em madeira de lei,
Da época das grandes sinfonias...
Devia ter mais de século.
Soava uma melodia envolvente, clássica, precisa.
Rebuscada.
Complexa e profunda.
Ao mesmo tempo bucólica.
Triste, distante.
Melancólica.
O velho piano ainda produzia seus tons
Com muita nitidez e harmonia.
Sons que ecoavam por todo o ambiente.
Embora Já desgastado pelo tempo.
O tempo fugaz que não volta.
Mesmo com suas paredes de madeira rachadas,
Sua música ainda era sublime.
As notas agudas e graves se misturavam umas às outras
Produzindo efeitos sonoros magníficos,
Dissonâncias perfeitas,
Discrepantes com a tristeza do lugar,
Um teatro quase abandonado e feio.
Tudo mórbido e sem vida,
Exceto pelas ondas melódicas
Preenchendo aquele quadro melancólico.
A música como cura para os recônditos escondidos e feridos da alma.
Este trabalho o velho instrumento executava
Com exímia habilidade e experiência.
A arte de musicar os versos e as notas
Contidas em composições intrincadas e diversas,
No passo do compasso, lentamente mas preciso,
O bater das teclas dava o tom,
O andamento.
O velho piano ainda encantava
E soava bela música,
Estava alegre por poder ser útil,
E o antigo lugar emocionava seus presentes ouvintes mais atentos
Acalentando a alma.
Com maestria o velho piano
Mostrava que o tempo é relativo.
Seu talento era claramente perceptível,
Provando que a experiência e a maturidade,
Quando bem afinadas,
Trazem resultados maravilhosos.

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