O contador de estórias
Andava pela cidade
Com seu giz e sua mente
Escrevia alegremente.
Nas sarjetas e nas ruas,
Nas calçadas e nos muros.
Não se importava,
Lá estava ele,
A escrever histórias,
Palavras jogadas ao chão.
Sem razão ou lógica,
Sem métrica ou rima.
Versos em ladrilhos,
Estrofes em lombadas.
O solitário escritor de alma simples
Apenas seu singelo coração
Derramado em forma de letras.
Cada palavra uma etapa,
Cada vírgula uma perda,
Cada ponto um fim.
Se acostumou assim
Sem eira nem beira,
Sua vida misturada na sujeira.
De joelhos, encolhido, escrevia.
Enquanto a cidade gemia,
O barulho não o desconcentrava,
As pessoas não o compreendiam.
E outro dia se passava,
A chuva vinha e tudo lavava,
Sua vida, sua história, sua luta.
Mesmo sem saber
Recomeçava tudo outra vez.
Quem sabe alguém um dia irá ler
E, finalmente entender...
O Contador de Estórias
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