Mundo moderno este…

Tá complicado entender as regras desta nova vida.
Esta nova era em que as boas ideias são raridade.
A bela adormecida já não acorda mais com um beijo e sim com um SMS.
E o príncipe... é, quer dizer... ele é uma princesa...
O tempo que antes dava para tudo, agora já está regulando até os segundos.
Coisas estranhas acontecendo.
Os humanos virando máquinas, e máquinas virando humanos.
Bichinhos virtuais, pessoas digitais, crianças inventadas, projetadas.
Cachorros em creches, famílias de pets.
Mundo loko!
Tudo virado, tudo trocado.
Invertido, de trás pra frente.
Ora estão todos na caixinha, outrora fora da casinha.
Verdades mentirosas e mentiras verdadeiras.
Valores desvalorizados...
Ética subjetiva, mais estética que estica.
O norte ainda é o norte, mas quase já é sul, as direções mudando toda hora.
Tanta opinião como pessoas, vivendo sem regras como numa anarquia.
Onde caráter já é artigo de luxo, religião virou piada suja.
Peixes fora d’água tentam sobreviver em meio ao oceano de lixo imposto pela Mídia.
Sociedades inteiras de pessoas que não existem e nem ligam umas para as outras.
A moda é sair da caixinha, pensar diferente, embora todos façam isso igualmente.
Se troca de parceiros mais do que de roupa, logo o mundo acaba e vai faltar gente.
Relacionamentos intensos e curtos, como um choque ou um relâmpago, vão e vêm.
Se moldam a qualquer recipiente,
Modernidade líquida * incipiente...


* http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html

Marcha Celta

Como uma marcha celta as palavras vão e vêm
Inundam o ambiente e ordenam os movimentos
Criam expectativas, aguçam os sentidos
Reforçam atitudes, acordam os mortos

Mandam marchar!
Atacar, defender, proteger.
Lutar, gritar, se martirizar.
Servir de exemplo, inspirar.

Lidam com os adágios da vida com rapidez,
Não há tempo a perder!
Agarrem suas armas com intrepidez! Bradam.
Não recuem frente ao inimigo!

Marchem!
Enfrentem!
Morram se preciso for!
Lutem e vençam!

Encarem seus medos e não olhem para trás.
O presente se vive com os olhos no futuro
E suas memórias com os olhos no passado
Em frente, sempre, enfrente!

Encantos

Um vislumbre temporal, um instante
Uma visão etérea e inebriante
Um simples e único sentimento
De repente como um sopro do vento

Assim se forma o encanto
Um toque especial portanto
Como uma miragem no deserto
Se desfaz quanto mais perto

Uma sensação única e egoísta
Ilusão passageira e oportunista
Por um curto espaço de tempo
Cega e desnorteia o movimento

Diferente da paixão que queima
O encanto é uma faísca que teima
Acontece em qualquer idade
Porém nunca se torna realidade

Encantos sequer escapam da mente
São ilusões transitórias somente
Se confundem com paixões ardentes
Sem a substância das realidades presentes

Se fossem perenes e constantes
Se confundiriam com livros em estantes
Cada estória e cada página contida
Poderia ser o combustível da vida

Como uma fotografia que desbota
Encantos imaturos não têm rota
Vão e vêm dentro dos pensamentos
Desaparecem em quaisquer momentos

Fermata

Silêncio

Tempo parado numa partitura.
Intervalo entre um compasso e outro.
Uma interrupção na melodia.
Uma interferência harmônica.

Vazio
Notas não utilizadas, não tocadas.
Palavras não ditas, momentos não vividos.
Ecos não ouvidos, sons não produzidos.
Canções não cantadas.

Ninguém
Vidas não continuadas.
Perguntas sem respostas.
Pessoas sem paciência.
Momentos sem sentido.

Nunca
Tempo desenfreado.
Amores desencontrados.
Paixões inacabadas.
Prazeres não realizados.

Nada
Mundo alucinado, alienado.
Mediocridade enaltecida
Ignorância louvada
Idiotas endeusados

Fermata
Vazio.
Ninguém.
Nunca.
Nada.