Ora estão todos na caixinha, outrora fora da casinha.
Ética subjetiva, mais estética que estica.
Algum dia irei relembrar o passado e rir, chorar, contemplar...
Um vislumbre temporal, um instante
Uma visão etérea e inebriante
Um simples e único sentimento
De repente como um sopro do vento
Assim se forma o encanto
Um toque especial portanto
Como uma miragem no deserto
Se desfaz quanto mais perto
Uma sensação única e egoísta
Ilusão passageira e oportunista
Por um curto espaço de tempo
Cega e desnorteia o movimento
Diferente da paixão que queima
O encanto é uma faísca que teima
Acontece em qualquer idade
Porém nunca se torna realidade
Encantos sequer escapam da mente
São ilusões transitórias somente
Se confundem com paixões ardentes
Sem a substância das realidades presentes
Se fossem perenes e constantes
Se confundiriam com livros em estantes
Cada estória e cada página contida
Poderia ser o combustível da vida
Como uma fotografia que desbota
Encantos imaturos não têm rota
Vão e vêm dentro dos pensamentos
Desaparecem em quaisquer momentos
Silêncio
Tempo parado numa partitura.
Intervalo entre um compasso e outro.
Uma interrupção na melodia.
Uma interferência harmônica.
Notas não utilizadas, não tocadas.
Palavras não ditas, momentos não vividos.
Ecos não ouvidos, sons não produzidos.
Canções não cantadas.
Vidas não continuadas.
Perguntas sem respostas.
Pessoas sem paciência.
Momentos sem sentido.
Tempo desenfreado.
Amores desencontrados.
Paixões inacabadas.
Prazeres não realizados.
Mundo alucinado, alienado.
Mediocridade enaltecida
Ignorância louvada
Idiotas endeusados
Vazio.
Ninguém.
Nunca.
Nada.