O tempo (este velho sorrateiro)


Como diminuir sua velocidade?!
Acrescentando poesia aos seus momentos
Seus instantes com cor e amor
Com versos e rimas
Poemas e sentimentos
Assim ele passa devagar
Quase uma eternidade
Nas mãos vorazes de um amante
Na pena inspirada do apaixonado
Ali as palavras saltam como que a formar a amada
E com linhas e desenhos formam uma faísca
Um lampejo do que o sôfrego louco está sentindo
Em suas veias corre fogo
E seu sangue fervilha
Por algo que não consegue descrever
Uma sensação nauseante
Pensamentos felizes
Emoções delirantes
Antes tivesse se mantido longe do perigo
Agora é tarde demais
Já se contaminou
Enquanto escreve o mundo para
Cada letra uma efusão de memórias
Com veemência segue seu destino
Com palavras revive o momento
E o tempo se eterniza
Ali entre um ponto e uma vírgula
Sua mente não descansa
Precisa de mais papel para escrever
Mais poesia destilar
Mais amor a derreter
Nesta alquimia mística que se chama paixão
A tinta acaba, o fogo, porém, não apaga
Necessita urgente ver sua paixão
Seu amor em forma de mulher
Sua vida, seu ar, seu alimento
Revive sua sina somente ao vê-la
Ao tocá-la chega a morrer
E ao beijá-la sobe aos céus
É o vício que lhe acomete
Perdido no tempo e no amor
Se encontra com a luz
E ali quer viver e morrer ao mesmo tempo
Para sempre
Nos lábios quentes de sua amada
Com sua alma eternizada
E o tempo já não mais existe