Às Vezes

Às vezes, à noite,
Pego meu violão
Para arranhar umas cantigas.
Coisa pouca, só ensaio.
O que eu gosto mesmo é ouvir,
Ouvir o som das cordas arpejadas,
Aquele sonido meio triste, meio melancolia.
Som que traz saudades de antigamente,
Alguma canção trigueira de lual,
Lembra velhos amigos, amores antigos.
Faz o ouvido ficar tinindo...
Sem o barulho exterior
Traz à alma calmaria e ao espírito alento,
Paz e conforto ao corpo cansado e oprimido.
Que doçura de momento!
Só eu e minha viola...
Conversando baixinho, batendo um papo.
O tempo até parece que se esquece da gente.
Às vezes é urgente.
O importante para mim é a afinação,
Instrumento bem afinado produz melodia pura e harmoniosa.
Uma nota com a outra,
Um acorde chamando outro.
Equilíbrio e ritmo.
O que nos faz seguir adiante nesta vida.
Conforto e desafios para não se perder no compasso.
Às vezes perco o passo,
Aí recomeço o ensaio.


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