Minhas palavras são suas

Minhas Palavras são suas.
A combinação delas,
A disposição, os emaranhados, os enredos,
Os trechos, os excertos, as frases,
As linhas, as reticências, tudo! tudo seu.
Dependo disso para viver,
De uma palavra (qualquer) sua, para escrever.
Um sim, ou um não, que importa?!
Vivo destas interligações textuais e semânticas...
Discursos e versos, poemas e prosas, causos e contos.
Em minhas veias correm letras, DNA de ideias, estórias.
Alfabetos e morfemas... meu café da manhã.
Na sintaxe me guio para sobreviver, se faz sentido? Fica claro.
Se não, corrijo e reescrevo. Minha história, meus finais.
Minhas tramas e seus ápices de suspense e drama.
Se estou triste, invento uma anedota,
Misturando (várias) palavras com humor
Para espantar a dor.
Sou assim... feito escritor,
Meio bobo, meio louco, um terço de ator.
E o amor?!
Esse está na página 54,
Sublinhado com ardor.
E a paixão?! de tão quente queimou a biblioteca, inteira!
Só sobrou cinza, para desenhar as nuvens,
Mas aí já é outra estória,
Que não vou contar aqui.
[...]



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