Dissonâncias


Na dissonância entre as teclas tocadas no piano,

Novas melodias intrincadas que surgem, inusitadas.

Nas misturas dos tons e micro tons em que vão

Se envolvendo umas com as outras, cúmplices.

Formando um som misterioso e suave,

Uma ressonância que vai além da melodia,

Que preenche o silêncio, e ressoa na alma.

Lentamente, na cadência do tempo,

Por entre os compassos bem marcados,

Numa harmonia que foge aos padrões,

Essas nuances sonoras evocam outras sensações!

Emoções que preenchem o vazio das fermatas,

Sentimentos que eram até então desconhecidos.

Inquietas e impertinentes são como dançarinas livres,

Escapam para além das pautas e se esvaem da normalidade.

Voam como pássaros numa revoada sincronizada.

Com expressões de rebeldia e gritos de alegria

Causam uma curiosidade latente, inquietante.

Até onde irão, assim soltas e eufóricas?

A imaginação tenta acompanhar em vão, instigantes.

Simplicidade e pureza na mistura de movimentos concretos,

Elas se abstraem e invadem o ambiente com beleza.

Outrora proibidas, condenadas pela ignorância,

Agora libertas das opressões infundadas e baixas,

Compõem um novo cântico intrínseco e divino.

Escondidas dos incautos e dos brutos de coração,

Apreciadas por ouvidos aguçados e espíritos sãos.

Mais amor e mais poder evocam do Grande Compositor,

Ecoando e reverberando atos para a eternidade.

Na simplicidade e humildade, sem pretensões ou ambições desmedidas,

Servem apenas à música com maestria e singeleza angelicais.

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