Não produz rastro algum,
Compassiva e tranquila,
Com seu calado e imponência,
Navega suave como uma pluma no ar...
Cortando as águas com vontade
Sem deixar marcas por onde vai
Somente ondas que se dissipam
Ondulações que desaparecem
Assim é o navio em seu curso
Percurso certo, guiado pelo céu,
As estrelas conferem sua precisão
No astrolabo e no pulso firme
Pelas mãos do timoneiro avança sem medo
Confia na experiência e na força
A embarcação rasga o lençol fino e disperso
Separando as águas e seguindo em frente
Na proa e no convés, apenas o vento a assoviar
Barco forte e desafiador
Lança suas quilhas e hélices sem dó
Cruza de um continente a outro
Diminui as distâncias que separam os mares
Leva mantimento aos de além-mar
Marinheiros trabalham e operam
Para a fortaleza flutuar
Fortes e bravos, corajosos e disciplinados
Encantam as velas e as poem para funcionar
Direcionam o navio para onde deve ir
dominam o vento e domam o mar
Nas chuvas permanecem firmes
Nos redemoinhos flexíveis
Nas intempéries constantes
Nas ondas suaves determinados
Nas margens imóveis e firmes
Que abrigam as casas dos marinheiros,
Terra à vista! Amores à espera do amor.
Doces e altivas mulheres os aguardam
Mães, filhas, esposas e amantes,
Aguardam ansiosas estes viajantes
As marcas deixam em seus corações
Redemoinhos de paixão, misto de dor

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