não passa de enfado,
pesado, amargo e algoz.
Que seria desta vida atroz?
O tempo assim se perde,
se distancia da magia,
se esconde das lembranças
como criança que perdeu a infância.
Se, no tempo das coisas,
não se enaltece a beleza,
não se figuram as letras
e não se formam as poesias,
logo, ao chegar da noite
pouco depois do Sol se por,
tudo se apaga e se esvai,
as cores, as flores, os amores.
E de tanto esperar,
o tempo se encarrega de levar
embora a memória mais pura
do que aconteceu.
Deixa um amargo na boca,
um féu indigesto,
sem sabor, sem calor,
sensação que se foi
sem registros, sem marcas,
sem vestígios, nem pistas.
Tudo se acaba sem poesia:
a tristeza e até a alegria.
[...]

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